Lageano formado na primeira turma da UNIPLAC participa da primeira cirurgia subcutânea de implante de desfibrilador

Os cardiologistas do Laboratório de Eletrofisiologia de Curitiba (LEC) realizam nesta sexta-feira (8), no Hospital Vitória, a primeira cirurgia subcutânea de implante de desfibrilador em Curitiba. O eletrofisiologista brasileiro Mauricio Montemezzo e a médica canadense Jacqueline Joza, que vem ao Brasil exclusivamente para acompanhar o procedimento, farão o implante do Cardioversor-Desfibrilador Implantável Subcutâneo (S-ICD), que ‘reinicia’ o coração com um choque e reverte a morte súbita, além de oferecer menor risco de infecções do que outros modelos.

Embora seja de grande relevância para o paciente, a cirurgia é considerada de baixo risco: é minimamente invasiva – precisa de duas pequenas incisões (uma de dois centímetros e outra de quatorze), dura em torno de uma hora e o paciente tem alta em 24 horas. “Em uma semana, que é o período de recuperação que pedimos para todo tipo de procedimento, o paciente retorna à vida normal. Com o outro aparelho, a cicatrização total leva até um mês”, afirma Montemezzo, que é especialista em Arritmologia.

O procedimento é indicado para casos graves de fibrilação atrial – um tipo de arritmia cardíaca caracterizada pelo descompasso no ritmo das batidas do coração que pode afetar pessoas de todas as idades e provocar morte súbita. Segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), o problema mata cerca de 320 mil brasileiros todos os anos.

O Dr. Maurício Montemezzo explica que um coração que bate em ritmo mais baixo ou tem algum tipo de bloqueio cardíaco não consegue funcionar como um relógio, como um coração normal, que bate de forma rítmica. “Quando há uma dissociação entre a parte de cima e a parte de baixo do coração, isso é chamado de bloqueio. Um marca-passo conserta esse tipo de bloqueio, mas alguns pacientes precisam de mais do que isso, e é aí que entra o desfibrilador, com a função de choque”. Quando o paciente apresenta uma arritmia mais grave, teve um infarto que gerou uma área de necrose, com uma cicatriz no coração, ou nasceu com uma característica genética, como uma cardiomiopatia hipertrófica, o coração tem algumas lacunas que possibilitam a formação de arritmias graves que levam à morte. Há ainda pacientes com outras doenças genéticas que dão uma predisposição maior à morte súbita.

Quando o paciente que tem risco de sofrer a morte súbita usa o desfibrilador, o aparelho reconhece a arritmia e, por meio de algoritmos verifica se o descompasso é ou não normal e, dependendo da avaliação, aplica um choque de 50 joules que reseta o coração e o faz voltar a bater no ritmo normal. “É o que chamamos de morte súbita cortada”, esclarece Montemezzo.

“Quero deixar de ser sedentário”

O procedimento é realizado por plano de saúde, pois está dentro dos protocolos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do Ministério da Saúde para pacientes com indicação de profilaxia ou prevenção primária e secundária. Montemezzo explica que pacientes de profilaxia primária são aqueles que têm uma doença estrutural, de característica genética, como a cardiopatia hipertrófica, com critério de alto risco de morte. Os pacientes de prevenção secundária são aqueles que já passaram por morte súbita abortada, ou seja, foram socorridos em um episódio de crise.

Quem passará pelo procedimento é o projetista mecânico Luciano Nievola, 46 anos, que sofre com hipertrofia do miocárdio e já teve cinco crises de morte súbita, sendo a primeira aos 19 anos, mas só foi diagnosticado aos 34 anos. Em junho do ano passado, teve uma crise mais séria. “Acordei com meus cachorros latindo durante a noite, desci para ver o que era, acalmei os animais e quando estava na escada comecei a passar mal. Não deu tempo de terminar de subir e desmaiei”, conta. Ele foi salvo pela esposa que, após o diagnóstico do marido, fez curso de primeiro socorros. “Com a queda, trinquei a coluna, quebrei o cóccix (osso do fim da coluna) e quase fiquei paraplégico.”

Após o episódio, Nievola decidiu deixar o trabalho e voltar ao cardiologista que indicou uma nova bateria de exames. O resultado revelou um grau mais sério da doença e a indicação para o implante. “Aí, fui indicado para conversar com a equipe do LEC e o Dr. Maurício me orientou em todos os passos para o implante de um desfibrilador.”

Animado com o procedimento, Nievola já faz planos de voltar a ter uma vida mais tranquila e a fazer o que gostava. “Agora vou poder me exercitar novamente. Até os 30 anos eu fui atlético, hoje sou sedentário. Quero também dar um pouco mais de segurança e conforto para minha esposa que se preocupa muito comigo, especialmente quando está longe de mim”, diz e complementa: “Esse aparelho será meu anjo da guarda.”

Sobre o LEC

Fundado em 1991, o Laboratório de Eletrofisiologia de Curitiba (LEC) é dedicado ao diagnóstico e tratamento das arritmias cardíacas. Conta com as mais modernas técnicas para o mapeamento, ablação e implante de dispositivos para o tratamento das arritmias cardíacas. Seu corpo clínico é formado por profissionais experientes com participação constante em atividades.

Compartilhe

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *