Aulas de violino como terapia para vencer a depressão

Luciana é aluna da professora Dani Porto na Escola de Artes Elionir Camargo Martins desde 2015 e buscou na música a felicidade
No natal de 2014, Luciana Plauda Candido (44 anos) perdeu seu pai. A tristeza tomou conta pela falta da principal referência da família. Um novo ano (2015) chegou rápido e a oportunidade de ocupar o tempo não só ouvindo música, mas fazendo, apareceu quando Luciana matriculou-se nas aulas de violino da instrutora Dani Porto na Escola de Artes Elionir Camargo Martins, da Fundação Cultural de Lages.
“Eu sempre gostei de música, presto atenção em cada instrumento, mas é o violino que me chama mais atenção. Quando soube das aulas tratei logo de me inscrever,” lembra Luciana com a voz tímida.
A instrutora Dani Porto diz que Luciana evoluiu muito nesses anos, principalmente pelo amor que tem pelo violino, e que a relação de amizade entre elas é um elo muito forte. “Eu cobro a dedicação de todos, e com a Luciana eu entendo que a motivação dela faz parte do meu trabalho. Com a música, ela mudou o senso crítico e aumentou a autoestima”, comenta.
Estímulo Luciana tem de sobra, começa em casa com o marido Ernani, passa pelo terapeuta que receita as aulas de violino como tratamento contínuo, e tem a companhia nas aulas do filho Nicholas Plauda, de 14 anos. Sobre o filho ela conta que Nicholas a acompanha desde os 9. “Ele me via tocar em casa, durante esse tempo ensinei a ele as notas, até que em 2017 ele passou a fazer as aulas aqui na Escola comigo e a professora Dani”, conta.
Ao lado de Nicholas, uma menina de risada alta prepara o instrumento para completar o trio regido pela instrutora. Laís Figueiró Mendes (22), há dez anos não fazia aulas. “Ela foi minha aluna quando a Escola de Artes era em outro endereço, fazíamos as aulas na sede da Fundação Cultural no “porãozinho”. A Laís parou por conta dos estudos, agora concluindo o curso de arquitetura ela resolveu voltar e aumentar a nossa turma das cordas”, diz a instrutora.
As apresentações de final de ano no Teatro Municipal Marajoara dos cursos da Escola de Artes mobilizam todos os alunos e instrutores. Entre eles, Luciana participa dessas apresentações desde o seu primeiro ano. “O nervosismo antes de ir ao palco existe ainda hoje. Lembro que para a primeira apresentação tocamos uma versão da nona sinfonia de Beethoven, mas é esse tipo de desafio que faz a gente amar a música”, exalta.
Sobre continuar nas aulas de violino, Luciana diz que vai seguir a recomendação médica, pois não imagina a vida longe do instrumento e das aulas divididas com o filho, os colegas e a parceria e amizade da instrutora Dani.


Texto e fotos: Fabrício Furtado

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